sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O clima no comando das vidas


Mais que o simbolismo da passagem de ano, a mudança das estações marca decisivamente as nossas vidas e estão repletas de novidades.
Como canta Carlos Mendes, “O Verão já terminou, foi um sonho que findou”. Associamos sonhos às épocas do ano determinadas pela Natureza, não obstante ela parecer brincar connosco às escondidas. Escrevo em meados de Outubro e apenas há cerca de uma semana as temperaturas baixaram dos 30ºC para vinte e tal. Não chove. Como no ano passado, as madeiras estão secas e rangem. Tanto as árvores da floresta, que começa a escassear, como a madeira das portas da minha casa. O ar está seco com as habituais consequências para o sistema respiratório humano. O ambiente está excepcionalmente propício para mosquitos transmissores de doenças que são mais tropicais que do nosso clima. As lojas continuam a vender melão porque os meloais estão a produzir em pleno, neste Verão que não acaba.
Eu passei todo o Julho em Inglaterra. Foi um mês marcante nas Ilhas Britânicas e memorável, como não acontecia há décadas. Todo o mês sem chover, quando a regra é chover duas ou três vezes por semana, sempre. Os verdes campos ingleses ficaram finalmente dourados e cinzentos. Os residentes da Grã-Bretanha estavam espantados, nunca tinham visto tal. E as temperaturas subiam diariamente aos 30ºC para mim, tem sido um Verão muito longo.
Quero regressar à realidade a que estava habituado, mas que são hábitos? As televisões continuam a falar de escândalos, e nós alimentamo-nos disso como se se tratasse de realidade substancial.
Há-de chover. Peçamos a Deus que nos livre dos temporais e das inundações assassinas. Há sempre um amanhã, tenhamos esperança. As escolas já trabalham em força, as castanhas assadas estão à porta, os vendedores de guarda-chuvas estão ansiosos por começar. Entretanto, aproveitemos os melões portugueses que continuam a nascer e crescer. O sonho do Outono está prestes a eclodir. As roupas nos armários vão ser mudadas, os agasalhos ficarão à mão. Mais um pouco e estamos a celebrar os Santos. Louvado seja Deus.

Orlando de Carvalho