Mais que o simbolismo da passagem de ano, a mudança das
estações marca decisivamente as nossas vidas e estão repletas de novidades.
Como canta Carlos Mendes, “O Verão já terminou, foi um sonho
que findou”. Associamos sonhos às épocas do ano determinadas pela Natureza, não
obstante ela parecer brincar connosco às escondidas. Escrevo em meados de
Outubro e apenas há cerca de uma semana as temperaturas baixaram dos 30ºC para
vinte e tal. Não chove. Como no ano passado, as madeiras estão secas e rangem.
Tanto as árvores da floresta, que começa a escassear, como a madeira das portas
da minha casa. O ar está seco com as habituais consequências para o sistema
respiratório humano. O ambiente está excepcionalmente propício para mosquitos
transmissores de doenças que são mais tropicais que do nosso clima. As lojas
continuam a vender melão porque os meloais estão a produzir em pleno, neste
Verão que não acaba.
Eu passei todo o Julho em Inglaterra. Foi um mês marcante
nas Ilhas Britânicas e memorável, como não acontecia há décadas. Todo o mês sem
chover, quando a regra é chover duas ou três vezes por semana, sempre. Os
verdes campos ingleses ficaram finalmente dourados e cinzentos. Os residentes
da Grã-Bretanha estavam espantados, nunca tinham visto tal. E as temperaturas
subiam diariamente aos 30ºC para mim, tem sido um Verão muito longo.
Quero regressar à realidade a que estava habituado, mas que
são hábitos? As televisões continuam a falar de escândalos, e nós
alimentamo-nos disso como se se tratasse de realidade substancial.
Há-de chover. Peçamos a Deus que nos livre dos temporais e
das inundações assassinas. Há sempre um amanhã, tenhamos esperança. As escolas
já trabalham em força, as castanhas assadas estão à porta, os vendedores de
guarda-chuvas estão ansiosos por começar. Entretanto, aproveitemos os melões
portugueses que continuam a nascer e crescer. O sonho do Outono está prestes a
eclodir. As roupas nos armários vão ser mudadas, os agasalhos ficarão à mão.
Mais um pouco e estamos a celebrar os Santos. Louvado seja Deus.
Orlando de Carvalho

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