A Família Gaspar estava a gozar férias. Jantaram e
pernoitaram em Viseu; de manhã, após o pequeno-almoço, partiram para Oliveira
do Hospital, onde almoçaram muito bem, e, a caminho de Condeixa-a-Nova, onde
iam dormir nesse dia, passaram por Góis. Na verdade, iam passar em Vila Nova de
Poiares, mas enganaram-se na estrada. E não se arrependeram, porque tiveram a
oportunidade de deleitar a vista numa paisagem tão bela. Se bem que quase
fossem passar na ponte nova, ficando sem ver a vila. Mas viram. Tiveram muita
dificuldade em descobrir a igreja, e infelizmente encontraram-na fechada. Fizeram
fotos de encantar e lá seguiram para Condeixa.
Nem um tostão, deixaram de lucro à nossa terra. E ninguém se
alimenta de elogios, nem de fotografias no Instagram ou no Facebook.
Vem isto a propósito de mais um artigo que li no jornal O
Varzeense de 15 de Outubro de 2019, a páginas 8.
Quero acreditar que haja um equívoco, porque tenho
dificuldade em acreditar, não por pôr em questão a credibilidade do Centro
Paroquial de Solidariedade Social da freguesia de Alvares, mas porque me custa
a interiorizar esta lógica.
A lei e os legisladores criam dificuldades. Eu sei e todos
sabemos que eles não estão muito interessados nas pessoas, de modo especial
quando são do interior. Mas uma posição tão incompreensível da parte do
município tem de ter alguma justificação. Ou estamos pior do que eu pensava.
Fico na expectativa de ver diferente desenlace para esta
história nos próximos números do jornal.
A razão de ser da Câmara é apoiar as gentes e as
instituições benéficas do município, além de fazer com que a Família Gaspar não
passe em Góis apenas por engano, mas com o propósito de desfrutar das ofertas
económicas que lá encontrar – dormida, comida, artesanato – e deixe alguns
tostões, ou mesmo euros, de lucro.
Orlando de Carvalho
