sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A força económica e social de Góis


A Família Gaspar estava a gozar férias. Jantaram e pernoitaram em Viseu; de manhã, após o pequeno-almoço, partiram para Oliveira do Hospital, onde almoçaram muito bem, e, a caminho de Condeixa-a-Nova, onde iam dormir nesse dia, passaram por Góis. Na verdade, iam passar em Vila Nova de Poiares, mas enganaram-se na estrada. E não se arrependeram, porque tiveram a oportunidade de deleitar a vista numa paisagem tão bela. Se bem que quase fossem passar na ponte nova, ficando sem ver a vila. Mas viram. Tiveram muita dificuldade em descobrir a igreja, e infelizmente encontraram-na fechada. Fizeram fotos de encantar e lá seguiram para Condeixa.
Nem um tostão, deixaram de lucro à nossa terra. E ninguém se alimenta de elogios, nem de fotografias no Instagram ou no Facebook.
Vem isto a propósito de mais um artigo que li no jornal O Varzeense de 15 de Outubro de 2019, a páginas 8.
Quero acreditar que haja um equívoco, porque tenho dificuldade em acreditar, não por pôr em questão a credibilidade do Centro Paroquial de Solidariedade Social da freguesia de Alvares, mas porque me custa a interiorizar esta lógica.
A lei e os legisladores criam dificuldades. Eu sei e todos sabemos que eles não estão muito interessados nas pessoas, de modo especial quando são do interior. Mas uma posição tão incompreensível da parte do município tem de ter alguma justificação. Ou estamos pior do que eu pensava.
Fico na expectativa de ver diferente desenlace para esta história nos próximos números do jornal.
A razão de ser da Câmara é apoiar as gentes e as instituições benéficas do município, além de fazer com que a Família Gaspar não passe em Góis apenas por engano, mas com o propósito de desfrutar das ofertas económicas que lá encontrar – dormida, comida, artesanato – e deixe alguns tostões, ou mesmo euros, de lucro.

Orlando de Carvalho


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